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Rhodnius prolixus

 

Triatomíneos são da família Reduvidae e pertencem à ordem Hemiptera, são hematófagos obrigatórios, inclusive os estádios de ninfas. Várias espécies são vetores da doença de Chagas nas Américas e popularmente são conhecidos como barbeiros. A Doença de Chagas é uma doença crônica e debilitante, freqüentemente fatal, que afeta atualmente de 15 a 16 milhões de pessoas na América Latina. O triatomíneo Rhodnius prolixus é um vetor importante da Doença de Chagas na América Central e em alguns países da América do Sul e tornou-se um inseto modelo para o estudo da fisiologia e da bioquímica de insetos graças ao seu uso pelo Dr. Vincent Wigglesworth nos anos 1930 e subseqüentes. Recentemente seu genoma foi objeto de seqüenciamento e, com parte deste esforço, várias bibliotecas de cDNA de órgãos específicos foram seqüenciadas usando a tecnologia do pirosequenciamento.

Rhodnius prolixus um pouco mais de perto:

O Rhodnius prolixus é um hemíptero hematófago, que chega a ingerir 10 vezes seu peso em sangue em uma única refeição. A espécie pertence à família Reduviidae, e é um inseto que sofre metamorfose incompleta (hemimetábolo). Durante seu ciclo de vida apresenta cinco estádios de ninfa antes de atingir a fase adulta. Apenas na fase adulta este inseto possui asas e apresenta dimorfismo sexual. A muda de um estádio para o outro ocorre em resposta a um repasto sangüíneo. Rhodnius não tem hospedeiro preferencial, aceitando alimentar-se em qualquer vertebrado de sangue quente, inclusive o homem. É hospedeiro intermediário de tripanossomatídeos, sendo apontado como principal vetor da Doença de Chagas em países como Venezuela e Colômbia. No Brasil tem importância secundária como vetor, visto que Triatoma infestans e Triatoma brasiliensis são apontados como os principais veiculadores da doença no país.

 

 

 

 

Os diferentes estádios de desenvolvimento de Rhodnius prolixus desde o ovo até a fêmea adulta estão assinalados na figura.

 

 

O processo digestivo deste hemíptero se inicia pela concentração do sangue através da excreção de água.  O sangue assim concentrado no intestino anterior é gradativamente liberado para o intestino médio onde ocorre a digestão propriamente dita.  A maior parte da absorção de nutrientes ocorre no intestino médio posterior.  Os nutrientes absorvidos pelo intestino são transportados pela hemolinfa, que é um sistema aberto de circulação que banha todos os tecidos do animal. Quando fêmeas adultas de Rhodnius são alimentadas com sangue, o processo de ovogênese começa a ocorrer.  Grande parte das proteínas que virão a constituir os ovócitos são sintetizadas no corpo gorduroso e transferidas através da hemolinfa até os ovários. Dentre elas destaca-se a vitelogenina, proteína precursora do vitelo, que chega a perfazer 80% das proteínas do ovo deste inseto.  A vitelogenina é internalizada pelos ovócitos em crescimento por um processo de endocitose mediada por receptor.   Foi demonstrada a participação das células foliculares de Rhodnius na síntese de vitelina.   A lipoforina uma lipoproteína, também sintetizada pelo corpo gorduroso transfere fosfolipídios para os ovócitos em crescimento.  Os ovócitos de Rhodnius prolixus, durante seu desenvolvimento, captam ainda, por um processo de endocitose mediada por um receptor específico, uma hemeproteína denominada RHBP (Rhodnius heme binding protein).  Cinco dias após a alimentação os ovários das fêmeas estão extremamente desenvolvidos e inicia-se a postura.  Durante este processo os ovócitos são fertilizados por gametas masculinos que estão armazenados na espermateca da fêmea.

 

 


 

 

 

Fêmeas de Rhodnius prolixus.

A - jejum de 3 semanas;

B - imediatamente após a alimentação;

C - cinco dias após alimentação

Quinze dias após a postura a embriogênese se completa e os ovos de Rhodnius eclodem.  As ninfas nascem de cor rosa, como mostrado na figura acima e poucas horas depois adquirem a coloração marrom que lhes será característica pelo resto da vida.

Um aspecto importante do uso de Rhodnius prolixus como modelo é a possibilidade de alimentar estes animais com dietas artificiais ou com adição de drogas.  Para isto é usado um aparato de vidro onde o alimento é mantido a  37oC com banho de água circulante. O animal alimenta-se através de uma membrana.


Fêmea de Rhodnius prolixus alimentando-se em comedouro artificial

 

 

 

 

 

 

 

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